{"id":1496,"date":"2026-06-05T15:38:26","date_gmt":"2026-06-05T18:38:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/?p=1496"},"modified":"2026-06-05T15:38:27","modified_gmt":"2026-06-05T18:38:27","slug":"o-filho-perdido-irene-vucovix-transforma-dor-extrema-em-um-relato-devastador-sobre-maternidade-culpa-e-tristeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/2026\/06\/05\/o-filho-perdido-irene-vucovix-transforma-dor-extrema-em-um-relato-devastador-sobre-maternidade-culpa-e-tristeza\/","title":{"rendered":"\u201cO Filho Perdido\u201d: Irene Vucovix transforma dor extrema em um relato devastador sobre maternidade, culpa e tristeza"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2018O Filho Perdido\u2019, estreia liter\u00e1ria da jornalista Irene Vucovix, \u00e9 um testemunho real sobre o amor de uma m\u00e3e diante da lenta destrui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio filho \u2014 e da impossibilidade de salv\u00e1-lo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado pela Gera\u00e7\u00e3o Editorial, o livro mescla mem\u00f3ria, confiss\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o emocional para narrar uma trag\u00e9dia marcada por depend\u00eancia qu\u00edmica, viol\u00eancia, transtorno de personalidade antissocial e rupturas familiares profundas. Mas, tamb\u00e9m fala sobre solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Narrado em primeira pessoa, como um di\u00e1logo tardio com o filho que j\u00e1 n\u00e3o pode responder, o livro acompanha a trajet\u00f3ria de uma m\u00e3e que v\u00ea, impotente, o \u00fanico filho mergulhar em uma espiral de autodestrui\u00e7\u00e3o. Pris\u00f5es, manipula\u00e7\u00f5es, furtos, interna\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas e crises sucessivas atravessam a narrativa at\u00e9 culminar na morte precoce dele, em 2017, aos 39 anos.<br>Ao longo de 240 p\u00e1ginas, Irene conduz o leitor por um territ\u00f3rio emocional explorado com tamanha franqueza: os limites do amor materno quando o afeto j\u00e1 n\u00e3o basta para controlar um outro ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma hist\u00f3ria real sem romantiza\u00e7\u00e3o<br>Sem recorrer a sentimentalismos f\u00e1ceis, \u201cO Filho Perdido\u201d desmonta a vis\u00e3o idealizada da maternidade. Irene apresenta uma m\u00e3e que ama profundamente, mas que, em determinado momento, precisa se afastar do filho para sobreviver \u2014 e talvez tentar salv\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu fiquei afastada do meu filho por 19 anos como uma forma de for\u00e7\u00e1-lo a assumir a vida dele\u201d, revela a autora. Segundo ela, a decis\u00e3o foi orientada por psiquiatras, diante de um quadro agravado pelo uso intenso de drogas e por tra\u00e7os de psicopatia diagnosticados ainda na adolesc\u00eancia. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o eu corria apagando inc\u00eandios. Internando, pagando psiquiatra e psic\u00f3logo, tirando da cadeia, pagando advogado. Uma loucura\u201d, recorda a autora, que nos anos 80 foi rep\u00f3rter especial do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem usada pelos m\u00e9dicos permanece viva em sua mem\u00f3ria: ela precisava se tornar \u201cuma parede\u201d, algu\u00e9m que dissesse \u201cn\u00e3o\u201d e n\u00e3o cedesse mais \u00e0s manipula\u00e7\u00f5es do filho.<br>O relato ganha ainda mais for\u00e7a justamente por fugir da l\u00f3gica da culpa simplificada. Irene n\u00e3o tenta justificar o filho, nem absolver a si mesma. O livro exp\u00f5e as ambiguidades, contradi\u00e7\u00f5es e dores silenciosas que cercam fam\u00edlias atravessadas pela depend\u00eancia qu\u00edmica e por transtornos mentais graves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nascimento do livro: literatura como catarse<br>Curiosamente, a origem do livro n\u00e3o nasceu de um projeto liter\u00e1rio estruturado, mas de um impulso emocional inesperado. Na \u00e9poca em que frequentava oficinas de escrita, Irene leu o conto \u201cOnze Filhos\u201d, de Franz Kafka. \u201cEsse conto me deu um clique: acho que eu vou escrever isso para o meu filho\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que come\u00e7ou com apenas 30 linhas acabou se transformando em um livro. Sem conseguir encontrar um ponto de partida, Irene recebeu de uma amiga uma sugest\u00e3o decisiva: gravar \u00e1udios contando a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Foi assim que surgiu a primeira frase da narrativa. \u201cComecei a gravar como se estivesse falando com ele: \u2018voc\u00ea nasceu pequeno, tamanho de menina\u2019. Quando terminei, percebi que tinha encontrado o come\u00e7o do livro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita, no entanto, aconteceu de forma fragmentada e dolorosa. Iniciado em 2019, dois anos ap\u00f3s a morte do filho, o manuscrito s\u00f3 foi conclu\u00eddo em 2024. \u201cMexer nessas coisas todas foi muito duro, mas tamb\u00e9m foi uma liberta\u00e7\u00e3o, uma catarse\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A inf\u00e2ncia amorosa e o contraste devastador<\/strong><br>Um dos aspectos mais impactantes da obra \u00e9 o contraste entre a inf\u00e2ncia afetiva do filho e o homem que ele se tornou mais tarde. Irene relembra uma crian\u00e7a cercada por av\u00f3s, tios, primos e carinho. Ao revisitar caixas de lembran\u00e7as, encontrou desenhos, ubmarinos de papel, bilhetes escritos \u00e0 m\u00e3o com frases como \u201cm\u00e3e, te amo\u201d.<br>Ao mesmo tempo, reconhece sinais que talvez tenham sido ignorados pela fam\u00edlia no in\u00edcio. \u201cNotei algo estranho desde crian\u00e7a. Dinheiro sumia da carteira do meu pai, pequenas infra\u00e7\u00f5es que a gente n\u00e3o queria ver.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o se agravou drasticamente na adolesc\u00eancia. \u201cQuando ele tinha 13 anos, as coisas come\u00e7aram a ficar bem complicadas, iniciou o uso de drogas pra valer\u201d, lembra. \u201cEle ficou um homem grande, bonito, sedutor e altamente manipulador.\u201d O primeiro diagn\u00f3stico de transtorno de personalidade antissocial veio quando ele tinha apenas 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um livro que acolhe outras m\u00e3es<\/strong><br>Desde o lan\u00e7amento, em novembro de 2025, Irene vem recebendo mensagens de leitores que se identificam com a hist\u00f3ria \u2014 especialmente m\u00e3es. \u201cAgora, com o livro, muitas m\u00e3es me abra\u00e7am. Tem gente que chega e fala: \u2018vamos te dar um abra\u00e7o\u2019. E \u00e9 a coisa mais gostosa do mundo, porque voc\u00ea se sente acolhida.\u201dSegundo ela, o maior sofrimento dessas fam\u00edlias \u00e9 justamente o isolamento. \u201cQuando voc\u00ea enfrenta esse tipo de problema, voc\u00ea se sente muito s\u00f3. As decis\u00f5es s\u00e3o solit\u00e1rias.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse ponto que \u201cO Filho Perdido\u201d ultrapassa a dimens\u00e3o autobiogr\u00e1fica e se transforma tamb\u00e9m em documento social. A obra toca em temas frequentemente escondidos dentro das casas: depend\u00eancia qu\u00edmica, viol\u00eancia dom\u00e9stica, culpa, vergonha, adoecimento mental e esgotamento emocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que reconstruir a mem\u00f3ria do filho, Irene tenta devolver humanidade a algu\u00e9m que terminou reduzido aos pr\u00f3prios erros. \u201cMeu filho foi muito mais do que o fim que teve. Ele foi amado, teve uma hist\u00f3ria. E eu precisava contar isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Jornalismo, literatura e maturidade<\/strong><br>Paulistana, Irene Vucovix construiu uma longa carreira no jornalismo. Foi rep\u00f3rter da Editora Abril e, nos anos 1980, atuou como rep\u00f3rter especial do O Estado de S. Paulo. Mais tarde, dirigiu durante mais de duas d\u00e9cadas uma ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o. A aproxima\u00e7\u00e3o com a literatura veio ap\u00f3s a aposentadoria, quando passou a frequentar oficinas de escrita em busca de uma linguagem diferente da objetividade jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2023, seu conto \u201cRetalhos\u201d ficou entre os tr\u00eas selecionados do Pr\u00eamio Arte e Literatura USP60+. J\u00e1 em 2024, \u201cSenhora dos Solit\u00e1rios\u201d integrou a antologia \u201cQuem, onde e adeus\u201d, da editora Sinete. Mas \u00e9 em \u201cO Filho Perdido\u201d que Irene encontra sua voz mais contundente \u2014 uma escrita seca, \u00edntima e corajosa, capaz de transformar devasta\u00e7\u00e3o em narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br>Livro: O Filho Perdido<br>Autora: Irene Vucovix<br>G\u00eanero: Mem\u00f3rias \/ N\u00e3o fic\u00e7\u00e3o<br>Editora: Gera\u00e7\u00e3o Editorial<br>Pre\u00e7o: a partir de R$ 53,49<br>Onde encontrar: plataformas digitais e livrarias como Amazon Brasil, Livraria da Vila, Livraria da Travessa e Martins Fontes Paulista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2018O Filho Perdido\u2019, estreia liter\u00e1ria da jornalista Irene Vucovix, \u00e9 um testemunho real sobre o amor de uma m\u00e3e diante da lenta destrui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio filho \u2014 e da impossibilidade de salv\u00e1-lo Publicado pela Gera\u00e7\u00e3o Editorial, o livro mescla mem\u00f3ria, confiss\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o emocional para narrar uma trag\u00e9dia marcada por depend\u00eancia qu\u00edmica, viol\u00eancia, transtorno de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1497,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1496","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1496"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1498,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1496\/revisions\/1498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}