{"id":1592,"date":"2026-06-26T17:08:23","date_gmt":"2026-06-26T20:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/?p=1592"},"modified":"2026-06-26T17:08:25","modified_gmt":"2026-06-26T20:08:25","slug":"analfabetismo-funcional-atinge-29-dos-brasileiros-e-limita-avanco-da-produtividade-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/2026\/06\/26\/analfabetismo-funcional-atinge-29-dos-brasileiros-e-limita-avanco-da-produtividade-no-pais\/","title":{"rendered":"Analfabetismo funcional atinge 29% dos brasileiros e limita avan\u00e7o da produtividade no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil convive com um entrave estrutural que vai al\u00e9m da escolariza\u00e7\u00e3o formal e impacta diretamente sua capacidade de crescimento: o analfabetismo funcional. Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024 mostram que 29% da popula\u00e7\u00e3o entre 15 e 64 anos &#8211; quase tr\u00eas em cada 10 brasileiros &#8211; n\u00e3o domina plenamente habilidades b\u00e1sicas de leitura, escrita e matem\u00e1tica. O \u00edndice permanece inalterado desde 2018, evidenciando um quadro de estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora alfabetizados do ponto de vista formal, esses indiv\u00edduos apresentam dificuldade para interpretar textos de m\u00e9dia complexidade, organizar informa\u00e7\u00f5es e aplicar conhecimentos em situa\u00e7\u00f5es cotidianas. O fen\u00f4meno revela uma dissocia\u00e7\u00e3o entre acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e efetiva aprendizagem, com implica\u00e7\u00f5es diretas sobre o desempenho econ\u00f4mico do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o se agrava entre os mais jovens. Na faixa de 15 a 29 anos, a taxa de analfabetismo funcional subiu de 14% para 16% no per\u00edodo, indicando perda de qualidade na forma\u00e7\u00e3o recente. Mesmo entre aqueles que avan\u00e7aram no sistema educacional, persistem lacunas: 17% dos egressos do ensino m\u00e9dio e 12% dos que chegaram ao ensino superior n\u00e3o atingem n\u00edveis adequados de profici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Antonio Esteca, especialista em avalia\u00e7\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior, avaliador do Inep\/MEC e CEO da Faculdade Metropolitana do Estado de S\u00e3o Paulo, o dado reflete uma falha estrutural na forma\u00e7\u00e3o educacional. \u201cO pa\u00eds ampliou o acesso \u00e0 escola, mas n\u00e3o garantiu aprendizagem consistente. O analfabetismo funcional exp\u00f5e justamente essa fragilidade: a incapacidade de transformar escolaridade em compet\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Press\u00e3o sobre a economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A limita\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica tem reflexos diretos na produtividade do trabalho, um dos principais vetores de crescimento econ\u00f4mico. Hoje, o trabalhador brasileiro gera, em m\u00e9dia, US$ 22 por hora, patamar inferior ao observado em pa\u00edses latino-americanos como Chile e Argentina, onde a produtividade gira em torno de US$ 33. Em economias mais desenvolvidas, como a italiana, o indicador supera US$ 70 por hora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Esteca, a defasagem educacional compromete a competitividade do pa\u00eds. \u201cSem dom\u00ednio de leitura, interpreta\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio l\u00f3gico, h\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o objetiva na capacidade de execu\u00e7\u00e3o, tomada de decis\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o dentro das empresas. Isso se traduz em menor efici\u00eancia econ\u00f4mica\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto se torna ainda mais evidente em setores intensivos em conhecimento. Na \u00e1rea de tecnologia, por exemplo, o pa\u00eds enfrenta um d\u00e9ficit estimado em 1,5 milh\u00e3o de profissionais. O problema tem origem na base educacional: segundo o PISA 2022, apenas 15% dos estudantes brasileiros do ensino m\u00e9dio s\u00e3o proficientes em leitura e 12% em matem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exclus\u00e3o digital e desigualdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um ambiente cada vez mais digitalizado, o analfabetismo funcional amplia desigualdades. Mais de 90% dos indiv\u00edduos nessa condi\u00e7\u00e3o apresentam baixo desempenho em habilidades digitais, o que dificulta o acesso a servi\u00e7os, informa\u00e7\u00f5es e oportunidades de trabalho. \u201cA economia digital exige autonomia intelectual e capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o. Sem essas compet\u00eancias, o indiv\u00edduo n\u00e3o apenas perde oportunidades, mas tamb\u00e9m se torna mais vulner\u00e1vel \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e \u00e0 exclus\u00e3o\u201d, avalia Esteca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desafio de longo prazo<\/strong>Especialistas apontam que a revers\u00e3o desse quadro depende de pol\u00edticas p\u00fablicas consistentes e de uma abordagem integrada entre educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, forma\u00e7\u00e3o docente e qualifica\u00e7\u00e3o continuada. O foco, segundo eles, precisa migrar do acesso para a aprendizagem efetiva. \u201cO Brasil precisa alinhar sua estrat\u00e9gia educacional \u00e0s demandas do s\u00e9culo XXI. Isso passa por garantir que o aluno aprenda de fato, e n\u00e3o apenas avance nas etapas formais. Sem essa mudan\u00e7a, o pa\u00eds continuar\u00e1 enfrentando limita\u00e7\u00f5es estruturais ao seu desenvolvimento\u201d, conclui Esteca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil convive com um entrave estrutural que vai al\u00e9m da escolariza\u00e7\u00e3o formal e impacta diretamente sua capacidade de crescimento: o analfabetismo funcional. 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