{"id":712,"date":"2025-12-01T16:52:50","date_gmt":"2025-12-01T19:52:50","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/?p=712"},"modified":"2025-12-01T16:52:50","modified_gmt":"2025-12-01T19:52:50","slug":"dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-de-doenca-mortal-a-condicao-tratavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalaquinoticias.com.br\/index.php\/2025\/12\/01\/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-de-doenca-mortal-a-condicao-tratavel\/","title":{"rendered":"Dia Mundial de Luta Contra a AIDS: de doen\u00e7a mortal a condi\u00e7\u00e3o trat\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p>O 1\u00ba de dezembro marca o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, que relembra como a resposta da medicina \u00e0 AIDS, desde identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, trouxe progressos fundamentais: hoje, \u00e9 poss\u00edvel controlar a doen\u00e7a, melhorar a qualidade de vida e permitir longevidade para pessoas que vivem com o v\u00edrus HIV. Com esses avan\u00e7os, os soropositivos t\u00eam acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o eficaz, segura e, a exemplo do Brasil, gratuita.<br>Segundo o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/ AIDS (UNIAIDS), desde 2010, as novas infec\u00e7\u00f5es por HIV diminu\u00edram 40% no mundo, de 2,2 milh\u00f5es para 1,3 milh\u00e3o, em 2024. Por\u00e9m, esta redu\u00e7\u00e3o est\u00e1 aqu\u00e9m da meta de ficar abaixo das 370 mil, at\u00e9 2025. Em 2023, cerca de 39,9 milh\u00f5es de pessoas viviam com HIV em todo o mundo, foram registradas cerca de 1,3 milh\u00e3o novas infec\u00e7\u00f5es e 630 mil mortes relacionadas \u00e0 AIDS.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os anos 1980, quando a doen\u00e7a foi descoberta, o Brasil soma mais de 1,16 milh\u00e3o de casos &#8211; uma m\u00e9dia anual de 36 mil nos \u00faltimos cinco anos \u2013 e 392 mil \u00f3bitos, segundo a UNIAIDS Brasil. Nos \u00faltimos dez anos, houve queda de 32,9% na mortalidade: de 5,7 em 2013 para 3,9 \u00f3bitos por 100 mil habitantes, em 2023. Nesse mesmo ano, a taxa de detec\u00e7\u00e3o de AIDS foi de 17,8 casos por 100 mil habitantes, o n\u00famero de \u00f3bitos relacionados a AIDS foi de 10.338 e as rela\u00e7\u00f5es sexuais sem prote\u00e7\u00e3o continuam sendo a principal via de transmiss\u00e3o (75,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio comprova a efetividade de pol\u00edticas p\u00fablicas integradas, que aliam a promo\u00e7\u00e3o de direitos b\u00e1sicos e cidadania a iniciativas voltadas para a preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico precoce, tratamentos e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es educativas e informativas. Por\u00e9m, em seu surgimento, nos anos 1980, os pacientes enfrentaram dificuldades nos tratamentos, j\u00e1 que a doen\u00e7a era totalmente desconhecida pela ci\u00eancia e, tamb\u00e9m, em fun\u00e7\u00e3o dos estigmas, que associaram o HIV a grupos espec\u00edficos de pessoas que apresentavam \u201ccomportamentos de risco\u201d: homens homoafetivos que n\u00e3o usavam preservativos nas rela\u00e7\u00f5es sexuais, usu\u00e1rios de drogas injet\u00e1veis e hemof\u00edlicos, cujos tratamentos incluem transfus\u00f5es de sangue. Al\u00e9m disso, a percep\u00e7\u00e3o social era muito moralista e intensa, agravando a desinforma\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o no combate da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos primeiros anos, n\u00e3o havia tratamentos que realmente pudessem devolver a \u2018vida normal\u2019 aos pacientes soropositivos. Hoje, temos um arsenal terap\u00eautico que permite reduzir a quantidade de v\u00edrus no sangue, alcan\u00e7ando um quadro que chamamos de carga viral indetect\u00e1vel. Na pr\u00e1tica, isso significa que, por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de medicamentos antirretrovirais &#8211; que tratam as infec\u00e7\u00f5es causadas pelo v\u00edrus da imunodefici\u00eancia (HIV) &#8211; estamos fortalecendo o sistema imunol\u00f3gico das pessoas infectadas e devolvendo sua fun\u00e7\u00e3o de defesa dos organismos. S\u00e3o avan\u00e7os da medicina que tamb\u00e9m v\u00eam contribuindo para aumentar o controle da transmiss\u00e3o do v\u00edrus na popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Dra. Cl\u00e1udia Murta, infectologista do Hospital Fel\u00edcio Rocho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela detalha que as estrat\u00e9gias de tratamento geralmente come\u00e7am com tr\u00eas tipos de f\u00e1rmacos. Ap\u00f3s o restabelecimento do sistema imunol\u00f3gico e a queda da carga viral no sangue do paciente, essa medica\u00e7\u00e3o pode ser reduzida para dois ou at\u00e9 para um \u00fanico comprimido, conforme a resposta \u00e0 terapia. \u201cAtualmente, contamos com mais possibilidades de tratamentos guiados para diferentes casos, como terap\u00eauticas mais apropriadas para gestantes, por exemplo, ou que causam poucos efeitos colaterais e que s\u00e3o bem toleradas por diferentes perfis de pacientes. Isso melhora a ades\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o da carga viral indetect\u00e1vel nos soropositivos, aspecto fundamental ao controle da doen\u00e7a\u201d, destaca a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De \u201cgrupos de risco\u201d a \u201ccomportamentos de risco\u201d<br><\/strong>Com o avan\u00e7o e o empenho da ci\u00eancia, a ideia de que a doen\u00e7a se propagava apenas em alguns perfis de grupos sociais foi ficando para tr\u00e1s. Ap\u00f3s diversas pesquisas, tornou-se evidente que a transmiss\u00e3o do HIV dependia de comportamentos de risco, como sexo sem prote\u00e7\u00e3o ou compartilhamento de agulhas, e de fatores estruturais e socioecon\u00f4micos que aumentam a vulnerabilidade.<br>Em 1996, a introdu\u00e7\u00e3o da Terapia Antirretroviral (TARV) transformou a AIDS de doen\u00e7a fatal para condi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica gerenci\u00e1vel. A TARV representou um grande avan\u00e7o da medicina no combate da AIDS, diminuindo as taxas de morte pela doen\u00e7a, possibilitando aos pacientes mais qualidade de vida e, principalmente, devolvendo a essas pessoas a chance de viver, mesmo ap\u00f3s a contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o HIV j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais vinculado a grupos, a taxa de pessoas heterossexuais infectadas tem crescido em decorr\u00eancia do sexo sem prote\u00e7\u00e3o, inclusive em mulheres, e observa-se maior concentra\u00e7\u00e3o de novos casos entre jovens de 20 a 34 anos. O perfil de pessoas contaminadas mudou completamente e o foco de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis (DSTs) e o uso de agulhas. \u201cTodo sangue doado no Brasil passa por v\u00e1rios exames at\u00e9 ser considerado saud\u00e1vel para transfus\u00e3o. J\u00e1 os medicamentos est\u00e3o amplamente dispon\u00edveis no SUS e os brasileiros soropositivos obt\u00e9m gratuitamente o esquema antirretroviral\u201d, pontua Dra. Cl\u00e1udia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o soropositva<br><\/strong>Com a grande melhoria dos tratamentos das infec\u00e7\u00f5es pelo HIV, a expectativa de vida dessas pessoas melhorou muito, podendo chegar ao mesmo patamar de pessoas sem o v\u00edrus. \u201cIsso traz mais desafios no manejo dos soropositivos, porque al\u00e9m da medica\u00e7\u00e3o antirretroviral, \u00e9 necess\u00e1rio utilizar rem\u00e9dios para o controle de hipertens\u00e3o arterial, diabetes, colesterol etc. Para esse p\u00fablico, a aten\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico se volta para as intera\u00e7\u00f5es entre esses rem\u00e9dios, os efeitos colaterais e as adequa\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas que v\u00e3o manter a sa\u00fade desse p\u00fablico que est\u00e1 envelhecendo\u201d, afirma Dra. Cl\u00e1udia. Ela enfatiza que al\u00e9m dos medicamentos, \u00e9 importante que pessoas que vivem com o v\u00edrus tenham h\u00e1bitos de vida saud\u00e1veis. \u201cEsse conjunto de cuidados permitem quantidade de vida com qualidade\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 1\u00ba de dezembro marca o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, que relembra como a resposta da medicina \u00e0 AIDS, desde identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, trouxe progressos fundamentais: hoje, \u00e9 poss\u00edvel controlar a doen\u00e7a, melhorar a qualidade de vida e permitir longevidade para pessoas que vivem com o v\u00edrus HIV. 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