Método ROPA permite gestação compartilhada para casais homoafetivos
O autor é Dr. Marcos Sampaio, diretor da Clínica Origen BH
As técnicas de Reprodução Assistida evoluem constantemente com benefícios a todos casais que sonham em ter um filho. Uma delas com ótimos resultados é o Método ROPA, sigla para Recepção de Óvulos da Parceira, que permite a gestação compartilhada de duas mulheres em união homoafetiva. Essa técnica, realizada dentro do processo da Fertilização In Vitro (FIV), consiste na doação dos óvulos por uma das parceiras, enquanto a outra gesta o bebê.
O Método ROPA permite a um casal homoafetivo feminino compartilhar a maternidade. Uma das parceiras cede os óvulos para a formação do embrião e a outra vivencia a experiência da gestação, do parto e da amamentação. Ambas se tornam mães biológicas, mas com participações diferentes.
A decisão do papel de cada uma é baseada na escolha do casal, mas também após as duas passarem por uma avaliação hormonal, ultrassonografia pélvica, entre outros exames, para verificar as reservas ovarianas e as estruturas uterinas. Em tese, a recomendação é que a mulher mais jovem seja quem cederá os óvulos (por ter a melhor qualidade das células). Contudo, a definição é feita primeiro pelo casal e com as informações da saúde das duas.
Para que a gestação ocorra com sucesso, o útero da parceira que receberá o embrião deve estar receptivo no momento da transferência. Isso exige que os ciclos hormonais das duas sejam sincronizados ou que o embrião fique congelado até o momento ideal, após o preparo uterino da futura gestante. Os óvulos são fertilizados com espermatozoides de um doador, que pode ser anônimo (material obtido em bancos de doação de sêmen) ou de um parente de até 4º grau, desde que não tenha consanguinidade com a futura mãe genética.
Após alguns dias de desenvolvimento embrionário monitorado em incubadora (período de cultivo), os embriões de melhor qualidade são selecionados e transferidos para o útero da mãe gestante. Caso haja congelamento de embriões, a transferência ocorre posteriormente, no ciclo ideal.
Resolução do CRM
Na resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre os serviços de reprodução assistida consta que: “é permitida a gestação compartilhada em união homoafetiva feminina, situação em que o embrião obtido a partir da fecundação do(s) oócito(s) de uma mulher é transferido para o útero de sua parceira”. Sendo assim, o método ROPA é realizado de acordo com critérios legais e éticos.



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